domingo, 22 de março de 2009

Por que o agronegócio lidera uma nova onda separatista


A força do campo pode emancipar cinco novos estados no Brasil e a idéia tem o apoio quase unânime dos produtores. Saiba o porquê

BONS DE LUTA: na Bahia, em Luís Eduardo Magalhães, produtores podem criar um novo Estado BONS DE LUTA: na Bahia, em Luís Eduardo Magalhães, produtores podem criar um novo Estado

Vinte anos atrás, quem cortasse a BR 242, saindo de Barreiras sentido Tocantins passaria por um estabelecimento chamado “Posto Mimoso”. Essa era a única referência de que, ali, estava a entrada para o distrito de Mimoso do Oeste, extremidade oposta a Salvador em que gaúchos e paranaenses construíam uma nova cidade. Uma cidade como outra qualquer. Acelerando o relógio do tempo, e voltando para 2008, o posto ainda está lá. Porém, no lugar de Mimoso do Oeste está cravada Luís Eduardo Magalhães, uma das mais importantes cidades do agronegócio brasileiro. Ali, grandes produtores de soja, algodão e, agora, gigantes da pecuária, vindos principalmente do Rio Grande do Sul e Paraná, se estabeleceram e fizeram fortuna.

Mas para que o desenvolvimento chegasse foi necessário emancipar o distrito “na marra”, como dizem alguns dos articuladores do movimento. Para que se tenha idéia, mesmo depois de duas eleições diretas para prefeito, há processos correndo tentando “cassar” a condição de município e reduzindo Luís Eduardo Magalhães, mais uma vez, para “Mimoso do Oeste”. Da mesma forma que criaram uma bem estruturada cidade, que, segundo dados do IBGE, ocupa a 36ª posição em renda per capita no País, produtores querem mais. Agora, eles querem é criar um novo Estado


Esse é o projeto que visa a criação do Estado do São Francisco, cuja linha-limite é o leito do rio que corta a Bahia, separando o leste do oeste. “Durante muitos anos, pedimos a ajuda do governo para os nossos projetos, mas não tivemos retorno, por isso temos que ter a nossa própria estrutura”, explica Carmina Maria Missio, grande produtora de sementes na cidade. Com uma área de mais de dois mil hectares plantados, ela e o marido, Celito Missio, cansaram de esperar. Mesmo com os agrados do atual governador, Jacques Wagner, que prometeu uma ferrovia ligando a cidade ao porto de Ilhéus, nada os convence de que é melhor esperar. Assim como eles, outros pesos pesados, que chegaram há pouco tempo pensam no assunto. Esse, por exemplo, é o caso do megaprodutor Otaviano Pivetta, que recentemente comprou 120 mil hectares na região. Gaúcho de nascimento, ele é conhecido por ter “formado” a cidade de Lucas do Rio Verde, um dos mais importantes pólos agrícolas de Mato Grosso. “Comparado a Mato Grosso, aqui a estrutura é melhor. Mas se a separação for melhor para a região, não vejo problema”, avalia.

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